Quarto ano de campanha celebra queda na colheita precoce do pinhão
- Redação Cidade de Gramado Online
- há 7 horas
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Iniciativa na Rota do Sol foca na preservação da fauna e da flora e protege a saúde do consumidor
FOTO: ACS DAER

A preservação da araucária ganha um novo fôlego na Serra e no Litoral Norte gaúcho. Pelo quarto ano consecutivo, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), vinculado à Secretaria de Logística e Transportes (Selt), coloca em prática a campanha de conscientização sobre a colheita responsável do pinhão na Rota do Sol (RSC-453/ERS-486).
Sob o lema "Se você gosta de pinhão, evite colher, comprar ou consumir antes do dia 1º de abril", a ação busca que os consumidores respeitem o tempo da natureza, visando a proteção da semente no trecho entre Tainhas e Terra de Areia.
O sucesso das edições anteriores reflete uma mudança de comportamento visível nas margens da rodovia.
De acordo com Vanessa Castro, gestora da Estação Ecológica Estadual (Esec) Aratinga, o impacto positivo da campanha é fruto da persistência em educar as comunidades locais e os turistas que utilizam a rodovia como ligação entre a Serra e o Litoral.
"Entramos neste quarto ano com a certeza de que a informação é nossa melhor ferramenta. O que antes era um comércio muito frequente de sementes quase verdes, hoje deu lugar ao respeito pelo ciclo da planta. A comunidade, especialmente quem vive no entorno das Unidades de Conservação, entendeu que colher antes da hora é prejudicar o futuro da nossa floresta", afirma Vanessa.
A iniciativa é uma necessidade ambiental, mas também foca na saúde dos consumidores.
O pinhão é a base alimentar de aproximadamente 70 espécies da fauna local.
Colhê-lo precocemente interrompe a cadeia alimentar dos animais e impede a dispersão natural que garante o nascimento de novas árvores.
Mas o biólogo Luiz Carlos Leite, da Divisão de Meio Ambiente do Daer, alerta que o consumo antecipado prejudica não só os animais, mas é um risco para o ser humano.
"O pinhão colhido verde acumula umidade excessiva e desenvolve fungos rapidamente. Consumir a semente fora do prazo é colocar a saúde em risco com um alimento que pode estar deteriorado", explica Luiz Carlos.
Neste ano, a estratégia de divulgação mantém a instalação de banners em postos de combustíveis, restaurantes e tendas de artesanato ao longo da rodovia e postagens nas redes sociais do Daer.
O bacharel em Gestão Ambiental Edison da Rosa, guarda-parque da Área de Proteção Ambiental (APA) Rota do Sol, celebra o engajamento dos comerciantes locais, que autorizam a instalação do banner nos seus estabelecimentos.
"Chegamos ao quarto ano atuantes na fiscalização e com o importante apoio do comércio local. Eles entenderam que vender pinhão de qualidade, no tempo certo, valoriza o produto e a região. Hoje, a comercialização irregular do pinhão está tornando-se uma exceção, pois a maioria da sociedade passou a entender que a conscientização é o caminho para o desenvolvimento turístico", pontua Edison.
Sobre a Rota do Sol
O trecho de 53,5 km da Rota do Sol é vital para o ecossistema gaúcho, atravessando três Unidades de Conservação: a Esec Aratinga, a APA Rota do Sol e a Reserva Biológica (Rebio) Mata Paludosa.
O licenciamento ambiental desse trecho, que vai da ponte sobre o arroio Tainhas ao viaduto em Terra de Areia, é acompanhado pelo Ibama. No total, a Rota do Sol possui 749,5 km, conectando São Borja, na fronteira oeste, ao balneário de Curumim.
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